Sunday, 27 February 2011

O Martini e as russas





Foi levada para uma mesa redonda, onde lá estavam 2 mulheres russas com olhares por cima dos ombros. Ali estava ele, o Martini Seco com 3 azeitonas sobre a mesa esperando todas aquelas mulheres. O significado da bebida já começava a fazer sentido: o coquetel descia como um aliciador de apenas uma noite para todas elas. Existia o modo com qual a taça ia de encontro aos lábios, o jeito com qual o tronco se posicionava e a maneira que os cílios postiços ajudavam a piscar vagarosamente. A bebida era batizada pelas acompanhantes de : “A visão do paraíso em estado líquido” , porque após alguns goles já podia sentir o efeito sensual do gim agindo no cérebro .É como um soco desferido por uma mão de ferro com luvas de pelica.O gim e algumas gotas de Vermut francês Noilly Prat. O dirty Martini (com o suco da azeitona) falava da mulheres que não esperam muito por gentileza, apenas um arrepio na nuca era o suficiente para ser o ganho delas.

Wednesday, 12 January 2011

A dream


Seu corpo estava coberto por uma seda natural que era a mesma fibra que compõe o casulo que cobre o bicho-da-seda, Amanda começava uma dança que nem ela mesma sabia
O ritmo entrava por suas narinas, respirando cada batida daquele som que penetrava na sua alma Cores por todos os lados, tecidos suspensos, chiffons arroxeados faziam ondulações de acordo com o vento que ia de encontro com aos dedos indicadores daquela que possuía os lábios carmin mais fascinante...

Friday, 13 August 2010

Around Soho





Caminhava em direção a um lugar que era exatamente como ela, um dia já tinha sido habitado por mendigos e hoje foi restaurado. Soho tinha um pedaço de Amanda e ela tinha um pedaço de Soho. Mulheres nas vitrines as 17:00 da tarde sem o menor pudor se oferecendo para os homens que por ali passavam. Viu uma bandeira gigante com várias cores e logo caíra na real que estava num bairro gay.

Falou com Seron, grana na mão, pés no mundo.

O que mais impressionava era a maneira com que os imigrantes faziam para ganhar dinheiro. Existia uns meninos em uma bicicleta que atrás vinha com uma espécie de charrete, depois descobriu que se chamava de Rickshaw e era um “táxi” ao ar livre assim o turista poderia dar uma voltinha na cidade podendo sentir o vento cortante no rosto. O sotaque deles era de brasileiros e as vezes de mexicanos, ficavam em frente aos cinemas por toda parte, parecia um enxame de charretes.

Ela tinha conferido o dinheiro na agência mas quis olhar mais uma vez, aquele dinheiro deixou estampado no rosto por mais de meia hora, o que uma noite se divertindo, analisando pessoas, uma dança e um cabelo grisalho poderia trazer para ela. Mantinha todo seu dinheiro numa caixinha de lata vermelha de biscoitos de manteiga os quais se deliciava cada vez que sua saliva ia de encontro com cada amanteigado.

Friday, 6 August 2010

On the plate





Amanda sabia que o maior presente que podia dar a si mesma era a vontade de fazer tudo que sempre desejou e foi parado pelas pessoas que a rodeavam. Sabia que não estava no caminho certo, mas era aquele gosto do incerto que a fascinava trazendo para uma realidade de tantas mulheres daquele universo que se prendiam dentro dos seus próprios sentimentos, acorrentadas por um mundo que se dizia ser liberto e seguia tudo que um dia disseram que era "bom", sem provar o aroma do “não”.

Por trás daquelas cortinas de seda tão frágil que não deixavam a luz entrar, foi arrancada por uma mão que não conhecera seu próprio corpo. A cada toque que deslizava do início ao fim houve uma pausa e nesse intervalo era que ela sentia todo o doce medo de viver e acompanhar cada homem com quem fosse sair, apresentando-lhes um desafio mental diferente para cada um deles.

Friday, 30 July 2010

I can´t speak French so let the funky music do the talking



Encontrou Mrs Lower em frente a estação de Oxford Circus, um aperto de mão desconcertado, um olhar desconfiado e um beijo com estalo. Foram caminhando em direção à Winsley Street número quatro.Era sexta-feira e uma noite de frio cortante que parecia não importar com as pernas que Amanda deixava à amostra. Pessoas chegando, outras saindo, aquilo era Londres, a cidade que não parava, por isso um relógio que foi tão protegido na Segunda Guerra Mundial,no meio daquela cidade de céu cinzento, deixando bem claro a caraterística de cada inglês: o horário.

Duas filas, uma enorme e outra seleta com apenas um grupo de 10 pessoas. Uma negra de 1.90 de beleza exótica, corpo esguio e uma encantadora covinha quando riu segurava uma prancheta. Ao lado de dois seguranças Poloneses (percebia-se pelo olhar de fúria e um sorriso gentil os quais ainda a guerra tinha deixado marcas ) ela perguntava se o nome estava na tal "guestlist". Um rapaz frágil de palavras educadas e sotaque francês tirou suavemente o sobretudo de Amanda e deu-lhe um ticket com um número.

Luzes azuis, vermelhas e amarelas se misturavam ao redor daquele lugar com decoração antiga da arte chinesa. Um grande mapa octogonal que ficava de pé na sua entrada e de costas para a saída a surpreendeu e sentia uma energia sugar toda sua respiração e sentir um perfume do incenso de cravo. Batidas leve de uma house music e uma mesa de vidro com duas garrafas de um espumante oriundo da região francesa. Mrs Lower de poucas palavras e olhos desviados para o de Amanda explicou que um acidente na costa finlandesa fez com que estas garrafas de champanhe estivessem perdidas no fundo do mar até 1997. E ali estava Amanda observando o processo de fermentação que acontece no armazenamento de dióxido de carbono que vira a simples bolha que vai de encontro a seus lábios carmim, bebendo um Champanhe Heidsieck 1907 com aquele homem que observava os olhos dela que nem se quer piscavam ouvindo todo entendimento. Chegaram alguns homens, sentaram ao redor e começaram a falar em francês e Amanda retribuia apenas em sorrisos cada palavra que não entendia e se deixou levar pela música que a fazia sentir a energia estranha daquele lugar.